Coletivo de fonoaudiólogas, fonoaudiólogos e fonoaudiólogues
Em organização por piso salarial, contra a pejotização e em defesa do SUS.
Sem base unificada, não há mudança estrutural
Nenhuma mudança estrutural será conquistada sem uma base unificada, com representatividade institucional e capacidade de coesão coletiva.
A precarização do nosso exercício profissional, a pejotização nos serviços de saúde e a ausência de um piso salarial normatizado têm a mesma origem: a nossa desarticulação.
Para definir a estratégia de atuação política e dar suporte técnico-político à estruturação da nossa representação sindical, mapeamos o perfil demográfico, trabalhista e de competências de quem integra o coletivo.
Os resultados parciais estão abaixo. Eles orientam as primeiras ações sobre as pautas que a própria base trouxe.
Quem somos
Precisamos ir muito além do debate: o nosso objetivo é formular e colocar em prática ações concretas.
Somos profissionais fonoaudiólogos de diferentes especialidades, e estamos criando este grupo justamente porque percebemos que precisamos ir muito além do debate: o nosso objetivo é formular e colocar em prática ações concretas, como as que apresentamos mais abaixo.
O ComunicaAÇÃO nasce no pós-eleição, a partir da necessidade de estruturar a Fonoaudiologia no debate público e institucional. Somos um grupo de fonoaudiólogos e fonoaudiólogas comprometidos com a defesa de um SUS forte e público, com a soberania nacional, com a valorização da nossa categoria e com o respeito integral à diversidade humana.
Reconhecemos que essa luta passa por um posicionamento político crítico ao neoliberalismo e em defesa das políticas públicas. Isso é, sim, um posicionamento político-ideológico em defesa da Fonoaudiologia.
Acreditamos que a garantia dos nossos direitos e a expansão da Fonoaudiologia dependem de organização, presença institucional e ação política consciente.
Nossos objetivos centrais
Organização sindical em São Paulo
Mobilizar a categoria para fundar e estruturar o Sindicato dos Fonoaudiólogos do Estado de SP, contando com a solidariedade, o apoio e a experiência dos sindicatos de fonoaudiologia de outros estados e das demais entidades de classe.
Pautas da categoria e da sociedade
Luta pelo piso salarial, combate à precarização do trabalho (pejotização), criação de canais de acolhimento para a prática clínica, barateamento de tecnologias assistivas e próteses auditivas, e instituição da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TDL, entre outros temas que você pode ajudar a trazer.
Articulação orçamentária
Ocupar o debate da Lei Orçamentária Anual (LOA) nas Câmaras Municipais e na Assembleia Legislativa em São Paulo e em outros estados, defendendo recursos para a saúde pública e a acessibilidade.
Rede e coesão nacional
Criar pontes com fonoaudiólogos de todo o país para atuar de forma unificada junto a conselhos e parlamentares comprometidos com a saúde pública e os direitos sociais.
Perfil da base, até agora
Resultados parciais do formulário de caracterização da base, com 180 respostas analisadas. Os dados são agregados, sem identificação pessoal, e tratados conforme a LGPD. A análise será atualizada com o aumento das respostas no formulário.
O perfil é concentrado. Ampliar o coletivo para outras regiões, raças, identidades de gênero e para pessoas com deficiência faz parte do trabalho de representatividade. As próximas atualizações do formulário devem incluir dados que, neste momento, não estão compilados, como a presença de pessoas com deficiência.
Onde e como atuamos
Cada pessoa podia marcar mais de uma opção, então os percentuais somam mais de 100%.
O que a base quer e o que trava
Percentuais sobre as 180 respostas, salvo quando indicada outra base. Em verde (pontilhado), temas de saúde pública e políticas; em âmbar (listrado), trabalho e jornada.
Nas palavras da base
Respostas escritas agrupadas por categoria e similaridade, por análise de conteúdo, sem qualquer trecho individual. Cada resposta pode entrar em mais de uma categoria, e a base de cada pergunta é a de respostas válidas. A análise será atualizada com o aumento das respostas no formulário.
Fonoaudiologia e política andam juntas
86,9% das respostas válidas ligam, de forma positiva, a Fonoaudiologia às políticas públicas, e o núcleo de sentido é “acesso garantido”. 79,4% mostram ao menos um indicador de interesse nessa relação. A base já está disposta a agir. O que falta é organização.
Do que se prioriza ao que se constrói
O maior descompasso está na organização política: é a dificuldade mais citada (52,3%), mas só 15,2% se dispõem a construir essa pauta diretamente. A equidade é apoiada por cerca de metade da base, mas pouco assumida como tarefa.
| Eixo temático | Prioridade (Q17, base 180) | Quer construir (Q22, base 165) | Vê como dificuldade (Q23, base 153) |
|---|---|---|---|
| Trabalho, remuneração e direitos | 96,1 | 29,1 | 47,7 |
| SUS, políticas públicas e acesso da população | 91,7 | 40,0 | 20,3 |
| Valorização e reconhecimento | 81,7 | 18,8 | 37,9 |
| Formação profissional | 75,0 | 13,3 | 13,7 |
| Organização política, sindical e representação | 57,2 | 15,2 | 52,3 |
| Equidade racial, de gênero e diversidade | 52,2 | 9,7 | 2,6 |
Em destaque: saúde pública e jornada de trabalho
Os dois eixos que mais aparecem nas respostas, separados dos demais.
Políticas públicas de saúde
91,7% marcaram ao menos uma pauta de SUS, políticas públicas ou acesso. Entre quem trabalha no setor público, a defesa do SUS sobe para 86,7%, contra 73,2% entre os demais. 73,9% pedem ampliação do acesso da população à Fonoaudiologia, e 65,6% marcam políticas públicas e direitos sociais.
Nas respostas abertas, “SUS e saúde pública” é o tema que mais gente se propõe a construir (30,9%). 28,9% atuam em Saúde Coletiva e 16,7% em gestão e políticas públicas. Há ainda uma base técnica com experiência em gestão de serviços do SUS, eMulti, CER e produção de dados.
Jornada e condições de trabalho
96,1% marcaram ao menos uma pauta de trabalho, remuneração e direitos. 78,3% marcam condições dignas de trabalho e 71,7% o combate à pejotização, que sobe para 77,6% entre quem atua no setor público e para 83,1% entre quem tem até 5 anos de formação.
11,7% das respostas abertas citam carga horária ou 30 horas, e a maioria pede redução ou limite. Nenhuma defende a jornada atual de 40 horas. Sobrecarga, carga horária e saúde mental aparecem entre as dificuldades de 13,7% das respostas válidas.
Nossas pautas
Análise de cada frente: o que diz a lei, o que tramita no Congresso e como agir.
Para decidir juntos
PL 1.675/2025
Contra a “pejotização fake”: proíbe pessoalidade, habitualidade e subordinação sobre o prestador PJ.
Substitutivo do PL 54/2019
Piso de R$ 5.700, jornada máxima de 30h e reajuste anual pelo INPC.
Res. CFFa 419/2012
Em 6 horas de jornada, uma média de 8 atendimentos de cerca de 40 minutos.
PL 6.910/2025 e PL 2.965/2026
Isenção de impostos para tecnologia assistiva e cuidado continuado para pessoas com deficiência de alta dependência.
Análise de cada frente
TrabalhoPejotização e imposição de vínculos precáriosA clínica exige deveres de celetista, mas o contrato PJ não garante 13º, FGTS nem licença-maternidade.
Uma das principais queixas da categoria é a contradição jurídica da pejotização: não há obrigação legal de o contratante oferecer os direitos trabalhistas fundamentais, mas ele exige do profissional todos os deveres típicos de um funcionário. O trabalhador precisa cumprir o horário contratado (CLT, arts. 4º, 58 e 482, e), manter a agenda sem faltas injustificadas (art. 482, h), prestar o mínimo de horas acordado (arts. 58 e 58-A) e registrar a jornada diária (art. 74, § 2º).
Por ser pessoa jurídica, não há amparo obrigatório ao 13º salário (Lei 4.090/1962), à licença-maternidade (CLT, arts. 391 e 392), ao FGTS (Lei 8.036/1990) nem ao seguro-desemprego (art. 477). Essa ausência desvirtua a essência das relações de trabalho e esbarra no art. 9º da CLT: a pejotização institucionalizou um cenário desigual, em que a pessoa tem muito mais deveres do que direitos.
- Se uma clínica exige horário fixo, metas e subordinação sob contrato PJ, comete infração direta a duas leis federais.
- Art. 9º da CLT: qualquer contrato feito para burlar, mascarar ou fraudar direitos do trabalhador é nulo de pleno direito.
- Lei 13.429/2017 (Lei da Terceirização): embora permita a contratação de serviços e a terceirização, a contratante não pode submeter o prestador PJ ao seu poder diretivo direto. Exigir subordinação desfigura a prestação de serviços legítima e gera direito ao vínculo de emprego estável.
- PL 1.675/2025 (senador Fabiano Contarato, PT/ES), o projeto contra a “pejotização fake”: altera a CLT e proíbe que o contratante aplique pessoalidade, habitualidade e subordinação sobre o prestador PJ.
- PL 3.026/2026 (deputada federal Heloísa Helena, REDE): quer barrar de forma permanente a modalidade em setores vitais e proíbe contratar por PJ para atividades-fim na saúde, pública ou privada. O foco são as Organizações Sociais de Saúde (OSS), que teriam de abrir processos seletivos ou concursos sob o regime CLT, evitando fonoaudiólogos sem 13º, FGTS ou licença-maternidade.
PL 1.675/2025 no Senado ↗ Votar na consulta pública (e-Cidadania) ↗ Texto do PL 1.675/2025 ↗ Notícia sobre o PL 3.026/2026 ↗
Salário e jornadaBaixa remuneração e ausência de piso salarialSubstitutivo na Comissão de Saúde propõe piso de R$ 5.700 e máximo de 30h. Falta pautar a votação.
Apontada como uma das maiores dores da categoria, a remuneração incompatível com o alto investimento na formação gera insatisfação, necessidade de pluriemprego e abandono do setor público em razão do desgaste. Já tramita na Câmara dos Deputados o PL 2.077/2023 (deputada Andreia Siqueira, MDB/PA), que altera a Lei 6.965/1981 para dispor sobre regulamentação, piso salarial e jornada, com 30 horas semanais.
Havia uma proposta original, o PL 54/2019 (ex-deputado Deley, PTB/RJ), que pedia piso de R$ 5.000 e jornada de 30 horas. As duas foram apensadas (unificadas) em maio de 2023. Em 6 de agosto de 2026, o relator na Comissão de Saúde (CSAUDE), deputado Ribamar Silva (PODE-SP), apresentou um substitutivo unificado.
- Aumento do piso: o valor sugerido foi reajustado para R$ 5.700,00, acima dos R$ 5.000 iniciais.
- Carga horária: mantida a jornada máxima de 30 horas semanais.
- Proteção contra a inflação: reajuste anual automático do piso pelo INPC.
- Onde está: na Comissão de Saúde da Câmara. O parecer favorável precisa ser pautado e votado pelos deputados da comissão e, depois, seguir para votação no Senado. O projeto só anda se o relator e o presidente da comissão o pautarem.
- Como pressionar: a Câmara mantém uma enquete aberta. Acesse a enquete oficial do PL 54/2019 e vote em “Concordo Totalmente”.
- Quem cobrar: o deputado Ribamar Silva (PODE-SP), relator, e o atual presidente da Comissão de Saúde. Deixe comentários firmes nas redes oficiais (Instagram/X): “Votem o parecer do PL 54/2019 na Comissão de Saúde! Valorizem a Fonoaudiologia!”
Parecer do relator na CSAUDE ↗ Tramitação do PL 54/2019 ↗ Íntegra do PL 2.077/2023 ↗ Notícia: CDH rejeita proposta de piso (Congresso em Foco) ↗
Saúde mentalSobrecarga de trabalho e adoecimento mentalNR-1, Resolução CFFa 419/2012 e a realidade das OSS no SUS.
Há relatos frequentes de metas abusivas em clínicas privadas e de sobrecarga extrema no SUS, onde a demanda esmagadora e a falta de equipes geram adoecimento e burnout.
- Setor privado: com a atualização da NR-1, as empresas privadas são obrigadas a identificar, prevenir e gerenciar os riscos psicossociais do ambiente de trabalho, o que inclui combater metas abusivas, jornadas exaustivas e sobrecarga.
- Se a clínica impõe metas de faturamento ou de velocidade de consultas que causam adoecimento mental, pode ser penalizada administrativamente pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou judicialmente por assédio moral organizacional.
- OSS: como são entes privados de direito privado, estão 100% obrigadas a seguir a NR-1 e devem provar documentalmente que a meta cobrada não adoece os funcionários.
- Proteção do conselho profissional: a Resolução CFFa 419/2012 estabelece que, em uma jornada de 6 horas, o fonoaudiólogo deve realizar uma média de 8 atendimentos (individuais ou em grupo) de cerca de 40 minutos cada.
- No SUS: muitas OSS contratam fonoaudiólogos como PJ para burlar direitos trabalhistas e forçar o cumprimento de metas abusivas sob ameaça de rescisão. Esse cenário, somado às cooperativas de fachada, motivou debates e audiências públicas no Senado Federal.
NR-1: o que muda (g1) ↗ Notícia do CRC-SP sobre a NR-1 ↗ Audiência pública no Senado ↗
FormaçãoSucateamento da formação: expansão do EADDecreto 12.456/2025 e PL 5.628/2026 avançam, e a Resolução CFFa 740/2024 dá base para denunciar.
Preocupa a proliferação de cursos de graduação à distância, a falta de supervisão adequada de estagiários em clínicas privadas, que fere o código de ética da profissão, e a formação precarizada, que compromete o raciocínio clínico e a segurança dos atendimentos à população.
- Governo (Decreto 12.456/2025): as graduações em saúde e licenciaturas devem ser oferecidas exclusivamente na modalidade presencial, barrando a abertura de novos cursos EaD.
- Congresso (PL 5.628/2026): proíbe definitivamente a oferta de ensino à distância para saúde e educação física na LDB. Foi aprovado na Câmara em setembro de 2026 e começou a tramitar no Senado. O argumento central é que o EaD compromete as habilidades práticas de contato direto com o paciente e a biossegurança.
- Estagiários sem supervisão nas clínicas privadas: o Conselho Federal publicou a Resolução CFFa 740, de 6 de setembro de 2024, que regulamenta rigidamente a atuação do fonoaudiólogo supervisor de estágio.
- Como agir: 1) denunciar ao CRF-2 (ou ao conselho da sua região), que fiscaliza a ausência de responsáveis técnicos e a atuação irregular de estagiários; 2) acionar o Ministério Público do Trabalho (MPT), que pune clínicas e OSS que desvirtuam a Lei do Estágio (11.788/2008), transformando o estudante em funcionário comum sem amparo pedagógico.
Senado analisa proibição de cursos a distância em saúde ↗ Resolução CFFa 740/2024 ↗
AcessoBarateamento de tecnologia assistivaIsenção de impostos para próteses e aparelhos auditivos, produção nacional (CEIS) e cuidado continuado.
- Isenção de impostos: tramita de forma avançada no Congresso um projeto que isenta a tecnologia assistiva de IPI e de Imposto de Importação. A proposta zera impostos de componentes essenciais para próteses, aparelhos auditivos e implantes cocleares, permitindo que clínicas e o SUS comprem equipamentos que ainda dependem do mercado externo sem o peso tributário, que às vezes chega a triplicar o valor de fábrica.
- PL 6.910/2025 (deputado Duda Ramos, MDB/RR): concede isenção de IPI e de Imposto de Importação sobre produtos de tecnologia assistiva, como próteses e aparelhos auditivos, voltados a pessoas com deficiência.
- Andamento: em setembro de 2026 foi aprovado, com parecer favorável do relator, deputado Diego Coronel, na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência (CPD). O texto aguarda a designação de novo relator na Comissão de Finanças e Tributação (CFT), para nova análise de mérito financeiro.
- Produção nacional: mesmo com a isenção, é preciso defender a produção nacional, para haver barateamento real somado ao desenvolvimento de um complexo industrial. Em 20 de julho de 2026 foi sancionada a lei do PL 2.583/2020, que institui a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS).
- O que muda com o CEIS: deixa de ser política de governo passageira e passa a ser lei de Estado permanente. Destina bilhões em crédito e subvenções ao desenvolvimento local de dispositivos médicos e insumos de alta complexidade, para reduzir a dependência de importações do SUS e estimular indústrias nacionais e laboratórios públicos a fabricarem tecnologia assistiva no país.
- PL 2.965/2026 (deputada Renata Abreu): propõe a Política Nacional de Cuidado Continuado para Pessoas com Deficiência de Alta Dependência. A análise aponta que a lei do CEIS pode contribuir para a viabilidade financeira desse projeto.
Notícia: projeto isenta tecnologia assistiva ↗ Tramitação do PL 6.910/2025 ↗ Enquete do PL 6.910/2025 ↗ Enquete do PL 2.965/2026 ↗ Lei do CEIS (Ministério da Saúde) ↗
DireitosA luta pelos direitos das pessoas com TDLEstratégia nacional aprovada na Comissão de Saúde e debate sobre equiparação à pessoa com deficiência.
Em 18 de junho de 2026, a Comissão de Saúde da Câmara aprovou o projeto que institui a Estratégia Nacional de Conscientização sobre o Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL). O texto base unifica propostas como o PL 6.119/2025. O objetivo é informar a sociedade, combater estigmas, incentivar o diagnóstico precoce e assegurar a inclusão social em todo o território nacional.
A lei obriga a promoção de campanhas educativas, a capacitação de profissionais na rede pública (saúde e educação) e o apoio a pesquisas científicas. A relatora ressaltou que a estratégia fortalece a ponte entre fonoaudiólogos e escolas.
- Equiparação à pessoa com deficiência (PcD): alguns grupos desejam que o TDL receba o mesmo tratamento jurídico que o autismo (TEA) recebeu com a Lei Berenice Piana, com status de deficiência para efeitos legais. Essa frente avança de forma pioneira nos estados.
- O exemplo de São Paulo: na Assembleia Legislativa (ALESP) tramita o PL 636/2026, da deputada estadual Clarice Ganem (PODE), que avança sobre o anterior PL 1.638/2023 e dispõe sobre a equiparação da pessoa com TDL à pessoa com deficiência.
- Na prática, após aprovação: a pessoa com TDL que passar por avaliação biopsicossocial multiprofissional terá direito a inclusão escolar (mediador ou auxiliar em sala, adaptação curricular e tempo estendido em exames e vestibulares) e a benefícios legais (cotas de emprego, isenções fiscais estaduais e prioridade em atendimentos de saúde).
- Divergência: grupos como o Coletivo “Juntos pelo TDL” defendem que os direitos não fiquem condicionados à avaliação biopsicossocial, e sim ao diagnóstico de TDL, para que casos leves não fiquem sem contemplação.
- Ação: acompanhe o PL 636/2026 no Portal da ALESP e use as ferramentas de manifestação popular do site oficial para registrar seu apoio formal à proposta.
Notícia: comissão aprova estratégia sobre transtornos da linguagem ↗ Íntegra do PL 6.119/2025 ↗ PL 636/2026 no Portal da ALESP ↗ PL 636/2026 no Diário Oficial ↗
OrganizaçãoFragmentação e desorganização da classeDesunião, falta de sindicato forte e distanciamento dos conselhos.
Há uma percepção contínua de desunião da categoria, aliada à ausência de um sindicato forte e atuante, especialmente no estado de São Paulo, e ao sentimento de omissão ou distanciamento dos Conselhos de Classe (CFFa/CRFa) em relação às condições de atendimento, o que interfere tanto na categoria quanto na sociedade.
Conteúdo conforme o documento de análise das pautas do coletivo. Confira sempre a situação atual nos sites oficiais do Senado, da Câmara e da ALESP.
Grupos de trabalho
Para operacionalizar a divisão do trabalho, quem tem mais disponibilidade e interesse específico se organiza em 4 grupos de trabalho (GTs) operacionais.
Relações institucionais e ação parlamentar
Objetivo: Mapear e incidir diretamente nos espaços de decisão e no Poder Legislativo e Executivo.
Atribuições- Mapear vereadores, deputados estaduais e federais progressistas parceiros e agendar reuniões com seus gabinetes.
- Protocolar requerimentos e a Carta Aberta aos Parlamentares nas Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas.
- Monitorar a tramitação de projetos de lei (como o piso salarial e a política do TDL) e a votação da Lei Orçamentária Anual (LOA), para pleitear emendas orçamentárias e verbas para o SUS.
- Organizar a inscrição e o uso da palavra por fonoaudiólogos nas audiências públicas orçamentárias.
Articulação acadêmica e estudantil (docentes e estudantes)
Objetivo: Organizar a base universitária, disputar o conhecimento acadêmico e promover a consciência de classe desde a graduação.
Atribuições- Articular com Centros Acadêmicos (CAs), Diretórios Acadêmicos (DAs) e Ligas Acadêmicas para apresentar o movimento.
- Organizar aulas abertas, rodas de conversa e seminários sobre a precarização do trabalho, denunciando a exploração de estagiários em clínicas privadas e a expansão precarizada do ensino EAD.
- Divulgar a necessidade de organização política e sindical entre os formandos.
Pesquisa, mapeamento da base e formulação sindical e teórica
Objetivo: Produzir o diagnóstico científico contínuo da categoria, subsidiar as pautas trabalhistas e elaborar o embasamento teórico e legislativo do movimento.
Atribuições- Sistematizar e analisar os dados obtidos pelos formulários de mapeamento (perfil socioeconômico, pejotização, renda, jornada de trabalho e sobrecarga).
- Desenvolver os estudos e minutas para a fundação e a reabertura do Sindicato dos Fonoaudiólogos em SP e a articulação com sindicatos de outros estados.
Comunicação e mídias digitais
Objetivo: Traduzir a teoria e os dados de pesquisa em materiais de agitação visual de alto impacto, para atrair e politizar fonoaudiólogos e a sociedade civil.
Atribuições- Produzir artes, carrosséis, vídeos curtos (Reels/TikTok) e memes disputando o assento no campo ideológico sobre temas como a indústria do autismo e a precarização por planos de saúde.
- Redigir notas oficiais, boletins de notícias e gerenciar a divulgação e o impulsionamento das campanhas do grupo.
Grupo Geral: “soldados da guerra digital” e base acolhedora
Quem preencheu o formulário, mas não tem tempo para compor um GT fixo, tem papel essencial na linha de frente da mobilização no Grupo Geral.
Agitação digital e pressão nas redes
Acionar “dias de mobilização” para comentar em massa nas redes sociais de parlamentares e relatores do orçamento, cobrando o piso salarial e a aprovação dos projetos de lei da Fonoaudiologia.
Presença e pressão presencial
Mobilizar a presença física em galerias de câmaras municipais, assembleias e audiências públicas no momento de votações orçamentárias.
Captação de base e expansão
Convidar novos colegas de trabalho, ex-colegas de faculdade e grupos de estudo para integrar o movimento.
Debates clínicos, trabalhistas e acolhimento ético
Participar de rodas periódicas de conversa online sobre a prática clínica real, servindo como canal de acolhimento contra abusos e injustiças no trabalho (pejotização, assédio, calotes de clínicas e sobrecarga). Essa escuta acolhedora transforma o sofrimento individual em indignação política coletiva.
Princípios e regras do grupo
O ComunicaAÇÃO é um grupo de organização, articulação e mobilização coletiva de fonoaudiólogos.
Quando falamos em política, estamos falando de participação nos espaços de decisão, incidência legislativa, construção de políticas públicas, representação da categoria e reivindicação de direitos.
Nosso objetivo é construir uma organização capaz de pautar e enfrentar questões estruturais da Fonoaudiologia, como valorização profissional, piso salarial, condições de trabalho, regulamentação e fiscalização do exercício profissional, políticas públicas e acesso da população aos serviços fonoaudiológicos.
Por isso, este não é um grupo destinado ao compartilhamento aleatório de conteúdos de Fonoaudiologia, divulgação de cursos, vagas, eventos ou dúvidas clínicas. Existem outros espaços para essas trocas.
Para manter nosso propósito, estabelecemos alguns princípios
- Compromisso com a finalidade política do grupoAs discussões devem estar relacionadas à organização da categoria, às nossas pautas e às estratégias de mobilização.
- Construção coletivaTodas as pessoas podem apresentar demandas, críticas, propostas e sugestões. Não se trata de um espaço de decisões individuais, mas de construção democrática.
- Debate com respeito e pluralidadeDivergências são legítimas e necessárias, desde que contribuam para o debate e não se transformem em ataques pessoais. Todas as pessoas devem ter sua dignidade respeitada.
- Compromisso com a equidade e o enfrentamento das opressõesO grupo deve assumir uma postura de respeito e defesa dos direitos das populações historicamente vulnerabilizadas, incluindo pessoas LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência, população em situação de rua, população negra e outros grupos socialmente marginalizados. Não serão toleradas manifestações de racismo, machismo, LGBTfobia, capacitismo, preconceito de classe, intolerância religiosa ou qualquer outra forma de discriminação.
- Foco em ações concretasQueremos ir além das discussões. Precisamos construir estratégias, documentos, articulações e encaminhamentos.
- Responsabilidade coletivaDecisões e posicionamentos em nome do grupo devem ser construídos e pactuados coletivamente.
- Organização e objetividadeEvitar mensagens desconectadas das nossas finalidades, correntes, publicidade e compartilhamentos que não contribuam para as pautas coletivas.
Nosso propósito não é apenas conversar sobre os problemas da Fonoaudiologia, mas nos organizar politicamente para enfrentá-los.
Não queremos ser apenas um grupo de profissionais insatisfeitos. Queremos construir força coletiva, representação e capacidade real de incidência nas decisões que determinam os rumos da nossa profissão.
A mobilização é o começo. A organização política é o caminho.
Organização começa por quem está aqui
Entre no grupo, acompanhe os resultados e ajude a definir as primeiras ações do coletivo.